Especialistas avaliam as consequências políticas e eleitorais do atentado

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O candidato do PSL nas ruas de Ceilândia, onde esteve na terça-feira: tempo de recuperação pode ser ponto negativo na campanha(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Para especialistas, Jair Bolsonaro tende a ser visto como vítima, reduzindo sua alta taxa de rejeição. Mas os dividendos eleitorais também vão depender da atitude dos oponentes, que precisam evitar que lhes seja atribuída culpa moral pelo atentado

Líder nas pesquisas de intenção de voto sem o petista Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) tem mais chances de subir a rampa do Planalto depois do atentado sofrido ontem em Juiz de Fora (MG), afirmam analistas. “Simbolicamente, ele fica fortalecido, e os ataques a ele podem se reduzir”, diz Maria Tereza Sadek, professora de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP).

“Ele ganha votos por simpatia e pena”, explica David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Na avaliação do professor, as chances que aumentam são de vitória no segundo turno, pois a possibilidade de Bolsonaro chegar à etapa final era praticamente certa antes da agressão, segundo as pesquisas. “A rejeição dele agora tende a diminuir”, ressalta. Encabeçando a lista na intenção de voto, o candidato do PSL também está no topo do ranking quando a pergunta é em quem o eleitor não pretende votar de jeito nenhum. Assim é nos levantamentos conhecidos, o que pode mudar, porém, nos próximos, diz Fleischer. Pelo levantamento do Ibope, por exemplo, o mais recente, Bolsonaro perderia no segundo turno para Marina Silva (Rede) ou Ciro Gomes (PDT). Ficaria à frente apenas de Fernando Haddad (PT), mesmo assim, numericamente empatado.

Os outros candidatos, a partir do ataque, não devem se sentir à vontade para explorar a contradição de que Bolsonaro, agora vitimado, fazia apologia da defesa das pessoas por meios próprios contra o crime, incluindo o uso de armas. “Esse discurso é perigoso, pois pode se voltar contra quem usar”, alerta Fleischer. Roberto Romano, professor de filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alerta para o risco oposto. “Se ficarem na defensiva, como estão, os adversários de Bolsonaro vão se tornar vulneráveis a ataques dos correligionários dele, como se admitissem que são responsáveis pelo que aconteceu”, afirma.

Na avaliação de Romano, os candidatos deveriam ter lamentado o atentado, mas, em seguida, ter ressaltado que Bolsonaro foi vítima do tipo de atitude que sempre alardeou. Em 3 de setembro, por exemplo, o candidato do PSL disse durante um ato de campanha: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. Para Romano, se não explorarem isso, os adversários de Bolsonaro podem perder votos. “Eleição só se ganha com ataque. Foi assim, sobretudo, com Fernando Collor e com Dilma Rousseff, que, aliás, exagerou na dose devido à atuação de seu marqueteiro, João Santana”, avalia.

 

Saúde

Em consequência desse dilema não resolvido para os candidatos, Romano acha que ainda é cedo para dizer que Bolsonaro será beneficiado politicamente pelo atentado. “Os defensores mais fervorosos vão transformá-lo em um mártir. Se isso vai ter uma repercussão mais ampla, é outra história”, nota. Fleischer, da UnB, embora veja um cenário predominantemente favorável ao postulante do PSL, enxerga riscos também, sobretudo por conta da saúde do militar da reserva. “Se a recuperação do ferimento demorar, e ele ficar muito tempo fora de combate, isso pode atrapalhar”.

O cientista político Eurico Figueiredo, professor e diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), vai na mesma linha. “Bolsonaro não tem estrutura partidária e precisa fazer campanha nas ruas. Se ele não se recuperar rapidamente, outras candidaturas da direita podem se beneficiar”, analisa.

Risco de radicalização

Para o sociólogo e cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a tendência é de radicalização ainda maior dos partidários de Bolsonaro. “Perdeu-se espaço para outros presidenciáveis sensibilizarem o eleitor com racionalidade. Agora, entramos em uma fase passional. Bolsonaro vai criar um contexto de vitimização e ataque que só beneficiará quem já estava em uma campanha de radicalização”, pondera.

Na avaliação de Baía, o clima de passionalidade tende a beneficiar o vice-candidato do PT e potencial presidenciável petista, Fernando Haddad. A narrativa construída pela legenda, de prisão política e injustiça das corporações com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode fortalecer a candidatura. “A retórica radical petista deve tirar votos de Ciro Gomes (PDT) e levá-lo ao segundo turno contra Bolsonaro”, sustentou.

As perspectivas de polarização entre PT e Bolsonaro no segundo turno não são tão nítidas na avaliação de Figueiredo, da UFF. Para ele, a corrida eleitoral ainda está aberta. A associação com a esquerda política e o passado vinculado ao PSol do suspeito de agredir Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, podem aumentar a rejeição aos petistas. Fleischer também vê riscos para Haddad, “que já está fraco”.

Uma unanimidade entre os analistas é o fato de que o atentado muda a situação das disputas políticas no país. “É a pior coisa que pode acontecer à democracia. Algo muito significativo é a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Rosa Weber, sempre muito discreta, ter se pronunciado tão prontamente. Isso é inédito na eleição brasileira”, destaca Fleischer. Remete, ele nota, ao que aconteceu em 1968, quando o senador democrata Robert Kennedy, que pretendia ser eleito presidente, foi assassinado no lobby de um hotel em Los Angeles.

Ataque politizado

O coordenador político da campanha de Jair Bolsonaro, o deputado federal Delegado Francischini (PSL-PR), disse à reportagem que vai entrar com representação na Polícia Federal para que seja investigada a possibilidade de o atentado contra o candidato do PSL ser um “crime político”. “Queremos saber se tem um autor intelectual (do atentado). Para nós, é um crime político, ele (autor da agressão) foi filiado ao PSol. Queremos saber se tem alguém acima desse cara, alguém que o induziu”, disse. Francischini disse que Bolsonaro “vinha falando sempre” sobre a possibilidade de ser atacado por alguém contrário à sua candidatura.

FONTE : CORREIO WEB

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