Eleições na Câmara: renovação da bancada de deputados pode ir a 100%

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Foto: Josemar Gonçalves/Cedoc

Dos atuais oito parlamentares, cinco não disputam a reeleição e os demais terão grande dificuldade para voltar

Por força das circunstâncias e escolhas eleitorais, cinco dos oito deputados federais do Distrito Federal não serão candidatos a reeleição. Nestes termos, é possível vislumbrar uma renovação de, pelo menos, 62,5% após as urnas de 7 de outubro. Neste contexto, há chances de uma dança das cadeiras total. Na Câmara Legislativa, somente sete dos 24 distritais não brigarão pela renovação do mandato. A margem garantida de mudança de cadeiras de deputado distrital está nas vizinhanças de 29,1%.

A cada nova eleição a palavra renovação ganha a boca do povo, mas dificilmente conquista as urnas. A bancada federal brasiliense é uma exceção. Nas últimas três legislaturas o número de reeleitos foi de, respectivamente, dois, um e três parlamentares reconduzidos pela ordem cronológica. É uma média de 25% de reeleição, apenas. Na geração atual, Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) decidiram buscar o Buriti. Izalci Lucas (PSDB) vai concorrer ao Senado. Assombrado por processos judiciais, Rôney Nemer (PP) ficará fora das urnas. Ronaldo Fonseca (Podemos) também decidiu não concorrer.

Nesta eleição o horizonte é desafiador. Diversas candidaturas competitivas estão nas ruas. Por um lado Laerte Bessa (PR) e Augusto Carvalho (SD) não tiveram votações expressivas em 2014. Foram os menos votados e dependeram dos puxadores Fraga e Rosso. Érika Kokay (PT) teve 92.558 votos, mas agora seu partido está isolado e vai precisar de um número muito maior para alcançar o coeficiente eleitoral, algo acima de 150 mil eleitores. Novamente, o quadro é singular.

Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, a média de reeleição dos 513 membros da Câmara dos Deputados é de 63,43%. Em geral, a cada eleição, entre os 513 deputados, 408 tentam continuar no cargo e 259 conseguem o apoio dos eleitores. Para 2018, o estudo prevê um índice de reeleição de 75%. Entre os 407 pretendentes a reeleição, 305 ganharão nas urnas. Na Câmara Distrital, a continuidade também desafia o mito da renovação. Na última virada de legislatura, 12 dos 24 distritais conseguiram continuar nos cargos legislativos.

Érika e Bessa irão à luta

O quadro desafiador não desanima Bessa ou Érika Kokay. Apesar de atuarem em campos ideológicos rivais, nutrem a mesma confiança na conquista da reeleição. Obviamente, as estratégias para a vitória nas urnas são distintas. “Hoje a maior qualidade na política é a Ficha Limpa. Graças a Deus eu sou Ficha Limpa. E tem mais. Eu também sou a renovação, uai. Entrei na política em 2006 e tenho apenas dois mandatos”, argumenta Bessa.

Para continuar na Câmara, o deputado aposta nas raízes com a Segurança Pública e com pautas conservadoras. Membro da Bancada da Bala, Bessa é um dos nomes responsáveis pelo projeto de redução da maioridade penal, atualmente em compasso de espera no Senado. “Depois da eleição vamos pressionar o Senado a votar. A impunidade está premiando estes bandidos travestidos de menores. Quem tem 16 anos sabe muito bem o que é certo ou errado”, comenta.

Defensora ferrenha das políticas progressistas e das minorias, Érika Kokay tem convicção que o PT elegerá dois federais. “Brasília representa de uma forma muito drástica o que representa o governo de Michel Temer (MDB). Inequivocamente, é um governo que fere a soberania nacional e promove a retirada de direitos. O governo Rollemberg (PSB) segue passos muito semelhantes na falência das políticas públicas e no autoritarismo. E o PT é antagonista de ambos”, resume.

Segundo Kokay, o PT ainda é o partido mais querido entre os eleitores e mantem uma base alinhada com as propostas da agremiação. Além disso, o partido conta com uma das militâncias mais engajadas do DF. O Jornal de Brasília entrou em contato com o gabinete de Augusto Carvalho. Mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.

Ponto de Vista

Renovação política é uma expressão vazia, na leitura do cientista político e sociólogo Antônio Flávio Testa. Segundo o especialista, a tendência de reeleição supera a expectativa da chegada de nomes novos. “Depois da Operação Lava Jato, das condenações de políticos, a tentativa de se manter com o mandato é muito grande. É a busca da manutenção da imunidade parlamentar. Some a isso, a barbaridade da micro-reforma eleitoral. O Fundo Eleitoral é um aprimoramento do voto em lista fechada. Com essa nova lógica os caciques partidários passaram a ter um poder enorme. E quem eles vão apoiar? Quem já tem mandato e tem maiores chances de ganhar. Os mais competitivos têm mandato. Ou vão apoiar amigos e parentes. Não é democrático”, dispara. E a bronca só aumenta, afinal Testa julga que as regras de financiamento favorecem também os candidatos com melhores condições financeiras. E nas regras atuais, para o estudioso, caso nomes novos sejam eleitos serão devorados ou escanteados pelo atual sistema político. O futuro é tenebroso.

FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA

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