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Projeto ComAgente ampliará alcance do Mediação de Conflitos por meio de mulheres referências 

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Imagine-se vivendo uma situação em que você não sabe a quem recorrer. Você também não conhece serviços públicos que possam te ajudar, mas se recorda da moça do seu bairro, muito conhecida por todos como uma solucionadora de problemas. Você então a procura e descobre um mundo de possibilidades e formas para lidar com os conflitos, dilemas e situações de violência.

É dessa forma que o projeto ComAgente pretende atuar em territórios atendidos pelo Programa Mediação de Conflitos (PMC), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Inicialmente, vinte mulheres Agentes Comunitárias de Cidadania foram selecionadas e irão ser esse elo entre comunidade e poder público em seis localidades de Belo Horizonte (Serra e Taquaril), Betim, Governador Valadares, Juiz de Fora e Santa Luzia. O lançamento do projeto ocorreu na manhã desta quinta-feira, 2/9, na Unidade de Prevenção à Criminalidade (UPC) do aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.

Para a subsecretária de Prevenção à Criminalidade, Andreza Rafaela Gomes, o ComAgente é muito mais do que um projeto: “é a realização de um sonho de ter essas mulheres como parte significativa do Programa Mediação de Conflitos. A efetividade da segurança pública depende de você atuar sobre os reais problemas comunitários. Então, quanto mais pessoas como parte da solução, mais efetividade temos em termos de política de prevenção”.

O projeto, ainda em fase piloto, terá duração de cinco meses – se iniciando em setembro com previsão de encerramento em janeiro de 2022. Durante esse período, as agentes, através de práticas diversas, realizarão intervenções junto a moradores dos territórios onde o PMC atua. A expectativa da subsecretaria da Sejusp é de que o ComAgente seja permanente e se expanda para todas as comunidades onde o PMC atua.

O projeto

O objetivo é aprofundar a participação das referências comunitárias nas práticas de intervenção e em conformidade com o PMC. Também busca potencializar a mobilização e participação social, com intervenções direcionadas para o enfrentamento às violências e à criminalidade; e o fortalecimento da mediação comunitária como estratégia de Segurança Cidadã.

Pelo trabalho realizado, as mulheres receberão um auxílio/bolsa no valor de R$1.030,00 para execução das atividades, e contarão com o acompanhamento das equipes do Mediação de Conflitos.

De acordo com a superintendente de Políticas de Prevenção à Criminalidade, Flávia Cristina Silva Mendes, a equipe vai se reunir uma vez por mês para supervisionar, monitorar e capacitar essas mulheres. “As analistas conhecem a realidade dos territórios e, dessa forma, junto às agentes, poderão traçar estratégias. Eu espero ter mais mulheres na segurança pública nos territórios. Espero que a comunidade tenha consciência da importância que elas têm na construção desse papel da segurança. Os territórios são muito grandes, são muitas mulheres e pessoas. Para alcançamos mais gente, precisamos dessas multiplicadoras”, pontuou Flávia.

A escolha por mulheres busca contribuir com a ampliação e fortalecimento do protagonismo delas na pauta da segurança pública cidadã. São mulheres com experiências diversas relacionadas à mobilização comunitária e diferentes saberes, que poderão impactar suas comunidades por meio das atividades realizadas. 

Legado materno

Marilda da Silva Cordeiro, 53 anos, traz de herança a atuação grandiosa de sua mãe no território Alto Vera Cruz. Filha de Dona Valdete, criadora do Grupo Cultural Meninas de Sinhá, sempre teve dentro de casa uma importante referência comunitária, o que fez dela um espelho de sua mãe.

Dona Valdete foi uma liderança comunitária no Alto Vera Cruz durante muitos anos. A ideia do “Meninas de Sinhá” surgiu ao ver tantas mulheres da comunidade saírem do posto de saúde com caixas e caixas de remédio. Ela se incomodou muito com aquilo e pensou que não dava para essas mulheres seguirem tomando antidepressivos e remédios para dormir. Foi então que resolveu se juntar a elas para conversar. Descobriu que a depressão vinha, muitas vezes, de conflitos sociais.

“E nisso elas começaram a falar da infância, a cantar cantigas de roda e nasceu o Grupo Meninas de Sinhá. Eu cresci neste meio. Minha mãe foi a minha companheira a vida inteira, tanto na área artística quanto na área política. Então, eu venho desta mulher que ensinou uma comunidade a caminhar. Não era dar o pão; era vamos lá aprender a fazer o pão e comer. Ela me deixou isso de legado”, conta Marilda, que agora também faz parte do ComAgente.

Diversidade

A agente comunitária de cidadania e travesti Kalyandra Araújo, de 24 anos, também será uma das referências no Aglomerado da Serra. A sua oficina se chama Empreendendo com Diversidade na Favela e é voltada para pessoas LGBTQIA+. A proposta é debater sobre o empreendedorismo, mas não tanto na perspectiva financeira, conta Kalyandra.

“Eu vou identificar o porquê de os jovens não empreenderem. Vamos buscar o ramo que eles gostariam de empreender; o que eles gostariam de vender; quais são os seus sonhos. O público LGBTQIA+ é muito desprovido de oportunidades. Desejo trabalhar isso. Em vez de dependermos das oportunidades preconceituosas do sistema, trabalharemos para criar as nossas próprias oportunidades”, almeja Kalyandra.

 

Fonte: Agência Minas Gerais

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