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Concha Acústica volta à cena artística com ação multicultural – Agência Brasília

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A Concha Acústica é o primeiro palco de shows de Brasília. Em 1961, com a cidade inaugurada, o espaço à beira lago aplaudia a delicadeza dos passos da bailarina Dalal Aschar. Até a inauguração oficial em 1969, atrações nacionais e estrangeiras ocupavam o palco de concreto. Passaram por lá a Orquestra Alemã, o Ballet Nacional da Geórgia e a Orquestra Sinfônica Infantil da Bulgária.

Nesta quinta (19), o equipamento, administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), abre os portões às 18h30 para a retomada do funcionamento após o período de quarentena, com uma reforma estrutural de R$ 422 mil. A programação será multicultural, com dança, concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e a exibição do filme “O Outro Lado do Paraíso”. Depois, o espaço segue com uma programação gratuita de cinema a céu aberto até setembro.

A programação de reabertura será multicultural, com dança, concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e a exibição do filme “O Outro Lado do Paraíso”. Depois, o espaço segue com uma programação gratuita de cinema a céu aberto até setembro | Fotos: Divulgação/Secec

“Não estamos só reabrindo um equipamento, estamos colocando a sua memória em estado dinâmico. É fascinante a história da Concha Acústica”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Contada nesses 61 anos, a história da concha está narrada na memória de quem testemunhou as apresentações culturais.

Remexemos nos arquivos para rememorar 10 momentos inesquecíveis

1963

Um dos maiores atores do país, Sérgio Cardoso (1925 – 1972) fez um recital com inclusão de poemas de Gregório de Matos e Vinicius de Moraes.  Sucesso no teatro nacional e pioneiro da televisão brasileira, o intérprete corria o país com “O Resto é Silêncio”, espetáculo que incluía monólogos de William Shakespeare. Sérgio era apontado como um dos grandes intérpretes do bardo inglês no Brasil, com criação histórica para o personagem Hamlet, em montagem do Teatro dos Estudantes, de Paschoal Carlos Magno.

1967

Dois anos depois de ter estourado como programa na TV Record, a Jovem Guarda era uma febre no país, quando Roberto, Erasmo Carlos e Wanderléa encheram a Concha de ieieiê. O trio interpretou as principais canções que estavam na parada de sucessos de 1967. “Pare o Casamento”, “Namoradinha de um Amigo Meu”, “Quando” e “Nossa Canção” estavam no set list.

1971

Contratada pela gravadora Som Livre Exportação, a novíssima MPB liderava essa apresentação antológica na cidade, com participação de Os Mutantes, Tim Maia, Elis Regina, Wilson Simonal, Vinicius e Toquinho. A aparição de Rita Lee foi uma apoteose ao movimento hippie e à liberdade de expressão na nova capital do poder, à época sob uma ditadura militar. Três anos antes, a Concha tinha virado altar para o casamento do professor da UnB e diretor de fotografia, Roberto Duarte, com Cecília Paes de Carvalho. A cerimônia teve temática “Woodstock”, e o casal de atores Paulo José e Dina Sfat, que estavam na cidade por conta da filmagem de “Vida Provisória”, foram os padrinhos.

1971

Roberto Carlos, agora solo, voltou a causar corre-corre rumo à Vila Planalto. Com apresentação lotada, o futuro “Rei da MPB” vinha embalado pelas bilheterias dos filmes “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa” e “Roberto Carlos a 300 km por Hora”. Este último foi o mote do show que transformou Brasília num assunto só. Numa entrevista aos jornais locais, Roberto causou polêmica entre os mais apaixonados por Brasília ao declarar que a nova capital parecia uma “grande fazenda”.

1985

Movimentada por bandas de rock com projeção nacional, a Brasília dos anos 1980 tinha ares de “rebelde” e “contestadora”. Em todo instante surgiam novas bandas de seus porões, espantando uma histórica formação pacata, com trilha sonora seresteira.  Nesse show “porradão”, o acento punk-rock veio com Detrito Federal, Escola de Escândalos e Elite Sofisticada. Ali surgia, com mais visibilidade, a ótima Finis Africae, que estouraria nas paradas nacionais com direito ao “Cassino do Chacrinha”. O show lançou o LP “Rumores”, que hoje é disputadíssimo no mercado de vinil.

1988

Um dos maiores eventos musicais do Centro-Oeste, o Porão do Rock deu o seu primeiro choro de vida no palco da Concha, com uma programação de 14 bandas, todas do Distrito Federal: Maskavo Roots; Pravda; Plástika; Cachorro Cego; Engels Espíritos Band; Auravil; Nulimit; Mata Hari; Zamaster; BSB Disco Club; James Band; Rodeo Drive; Bigroove e Ponto G. Seguiu por lá em 1999, mas já estava grande demais para ficar contido entre os bancos de concreto.

2004

Em turnê nacional, Rita Lee fez show do “balacobaco” enfileirando “hits” de todos os tempos: “Ovelha Negra”, “A Hard Days Night” (Beatles), “Esse Tal de Roquenrow”, “Tudo Vira Bosta”, “Jardins da Babilônia” e “Amor e Sexo” levaram o público que lotou a Concha ao delírio. Rita estava acompanhada de Roberto de Carvalho (guitarra), pelo filho Beto Lee (guitarra), Ary Dias (percussão), Dadi Carvalho (baixo), Cláudio Infante (bateria), Rafael Castilhol (teclados) e Débora Reis (vocais).

2006

Trio moderninho britânico, Placebo e a performance do andrógino vocalista e guitarrista Brian Molko transformaram o cenário da pacata Vila Planalto num show que entrou para memória dos fãs, com desfile de singles de 1996 a 2004. Entre as mais esperadas, “Every me Every You” cantada em coro.

2007

Criado em Paris, o Gotan Project trouxe para a cidade a onda do tango eletrônico a partir do álbum fenômeno “La Revancha del Tango”. A apresentação foi gratuita e fez parte das comemorações da Festa da Música, uma ação do Ministério da Cultura da França.

O show foi tão cheio que teve gente que levou mais de uma hora para tirar o carro de dentro do estacionamento depois da apresentação. A abertura foi com a ascendente banda, hoje saudosa, Móveis Coloniais de Acaju.

2011

O Festival das Águas misturou estilos com Alceu Valença, Pitty, Skank, Titãs, MV Bill, NX Zero, CPM 22 e Zeca Baleiro numa festa para celebrar a preservação do meio ambiente em quatro dias seguidos de show. O clima era de um Brasil melhor e desejos para o futuro de matas e fauna protegidas e povos indígenas respeitados.

Programação 19/8

– 18h30: Grupo de Dança Orbital

– 18h40: Balé Mylene Leonardo

– 19h: Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro

– 20h: apresentação do filme “O Outro Lado da Paraíso”

Ingressos: oquevemporai.com

Entrada gratuita

Somente serão distribuídos ingressos para 30% da ocupação do espaço

Uso de máscaras será obrigatório

*Com informações da Secretaria de Cultura

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